NÃO DEIS LUGAR AO DIABO! É possível? Como? (Comentário de Ef 4.25-32) Por isso, deixando a mentira, fale cada um a verdade com o seu próx...
NÃO DEIS LUGAR AO DIABO! É possível? Como? (Comentário de Ef 4.25-32)Por isso, deixando a mentira, fale cada um a verdade com o seu próximo, porque somos membros uns dos outros. Irai-vos e não pequeis; não se ponha o sol sobre a vossa ira, nem deis lugar ao diabo. Aquele que furtava não furte mais; antes, trabalhe, fazendo com as próprias mãos o que é bom, para que tenha com que acudir ao necessitado. Não saia da vossa boca nenhuma palavra torpe, e sim unicamente a que for boa para edificação, conforme a necessidade, e, assim, transmita graça aos que ouvem. E não entristeçais o Espírito de Deus, no qual fostes selados para o dia da redenção. Longe de vós, toda amargura, e cólera, e ira, e gritaria, e blasfêmias, e bem assim toda malícia. Antes, sede uns para com os outros benignos, compassivos, perdoando-vos uns aos outros, como também Deus, em Cristo, vos perdoou.
Ef 4.25–32
25Por isso, deixando a mentira, fale cada um a verdade com o seu próximo, porque somos membros uns dos outros.
A principal expressão deste verso é deixando a mentira. Todo o texto está relacionado ao pequeno trecho do início do verso 27: não deis lugar ao diabo. Há das formas de não darmos lugar ao inimigo de nossas almas é deixando a mentira. Jesus ensinou a relação entre os que vivem na mentira e sua filiação demoníaca:
João 8.44: Vós sois do diabo, que é vosso pai, e quereis satisfazer-lhe os desejos. Ele foi homicida desde o princípio e jamais se firmou na verdade, porque nele não há verdade. Quando ele profere mentira, fala do que lhe é próprio, porque é mentiroso e pai da mentira.
Quando tornamo-nos filhos de Deus, tornamo-nos filhos da verdade e, automaticamente, deixamos de ter prazer ou indiferença com relação à mentira. Não olhamos para a mentira nem mesmo com indiferença, mas com preocupação. Cientes agora de que há uma paternidade em todo falso testemunho e um espírito que guia toda a mentira, passamos a pensar na seriedade que é agirmos de um modo que fere o pai da verdade, o nosso pai que está nos céus. Deixar a mentira e falar a verdade com nosso próximo é a atitude que se espera, ou melhor, é a atitude natural de alguém que torna-se filho ou filha de Deus.
O fato de sermos membros uns dos outros torna absurda toda mentira. Seria como um dedo olhar para o cotovelo e dizer, “estou com dor de cabeça” — e o cotovelo acreditar.
26Irai-vos e não pequeis; não se ponha o sol sobre a vossa ira,
A ira, em si, não é pecado. Animais se iram. Bebês se iram. Assassinos se iram. Deus se ira.
No entanto, há um nível ou momento em que a ira pode tornar-se pecaminosa. Ela só se torna pecaminosa quando damos lugar ao diabo. O próprio texto nos orienta com relação a como não dar lugar ao diabo: não se ponha o sol sobre a vossa ira. Paulo está citando:
Salmo 4.4: Irai-vos e não pequeis; consultai no travesseiro o coração e sossegai.
A ira guardada no coração é como o maná guardado no cesto. Se deixado de um dia para o outro, apodrecerá e passará a feder, tornando-se insuportável para aquele que guardou aquilo que deveria deixado de lado.
27nem deis lugar ao diabo.
É sobre isso que todo este final do capítulo quatro está a tratar. Não dar lugar ao diabo falando a mentira, não dar lugar ao diabo guardando ira e ressentimento no coração, além do que vem nos versos a seguir.
Todos os filhos de Deus foram libertos do poder e influência do Diabo e, logo, não devem dar a ele autoridade sobre suas vidas. Ele passará todo o tempo lhe tentando, seduzindo, enganando. Mas você, como alguém que já foi liberto, deve sempre resistir às suas ações. Você foi liberto, e deve resistir como diz Tiago:
Tiago 4.7: Sujeitai-vos, portanto, a Deus; mas resisti ao diabo, e ele fugirá de vós.
28Aquele que furtava não furte mais; antes, trabalhe, fazendo com as próprias mãos o que é bom, para que tenha com que acudir ao necessitado.
Neste versos, Paulo trata dos pecados enquanto ações que ferem materialmente o próximo. Há pecados que ferem apenas emocionalmente nosso próximo, mas, sobre estes, Paulo tratará no verso seguinte.
O furto é algo que destrói a criação. Deus não nos criou para roubar, mas para partilhar, cuidar, ensinar e aprender. Paulo já havia falado sobre isso em Ef 2.10:
Efésios 2.10: Pois somos feitura dele, criados em Cristo Jesus para boas obras, as quais Deus de antemão preparou para que andássemos nelas.
Deus nos criou para que andássemos em boas obras, e não em furtos ou ações que tirem o que é dos outros. Quando alguém que roubava se torna filho de Deus, o primeiro fruto de sua conversão é devolver o que antes roubou:
Lc 19.1–10: Entrando em Jericó, atravessava Jesus a cidade.Eis que um homem, chamado Zaqueu, maioral dos publicanos e rico,procurava ver quem era Jesus, mas não podia, por causa da multidão, por ser ele de pequena estatura.Então, correndo adiante, subiu a um sicômoro a fim de vê-lo, porque por ali havia de passar.Quando Jesus chegou àquele lugar, olhando para cima, disse-lhe: Zaqueu, desce depressa, pois me convém ficar hoje em tua casa.Ele desceu a toda a pressa e o recebeu com alegria.Todos os que viram isto murmuravam, dizendo que ele se hospedara com homem pecador.Entrementes, Zaqueu se levantou e disse ao Senhor: Senhor, resolvo dar aos pobres a metade dos meus bens; e, se nalguma coisa tenho defraudado alguém, restituo quatro vezes mais.Então, Jesus lhe disse: Hoje, houve salvação nesta casa, pois que também este é filho de Abraão.Porque o Filho do Homem veio buscar e salvar o perdido.
Continuar na mentira, continuar roubando, continuar sem os frutos de uma nova vida é o mesmo que dar lugar ao diabo. Alguém que dá lugar ao diabo é alguém que não faz o bem com suas próprias mãos, que nunca acode ao necessitado. Alguém que dá lugar ao diabo, é alguém que nunca age com os frutos desta nova vida apresentada pelo apóstolo Paulo. Alguém que foge do trabalho ou que é negligente no que faz é alguém que está sempre a dar lugar ao diabo. Por essa razão, o trabalho desta pessoa torna-se um fardo ou uma tristeza para quem dele precisa.
29Não saia da vossa boca nenhuma palavra torpe, e sim unicamente a que for boa para edificação, conforme a necessidade, e, assim, transmita graça aos que ouvem.
Agora, Paulo falar do pecado enquanto uma ação que fere emocionalmente o meu próximo. A palavra que Paulo usa para torpe é a palavra σαπρός (sapros), que trata de algo que pertence ao que é prejudicial em vista de seu ser insalubre e corrupto — algo que é insalubre e corrupto que corrompe e torna insalubre aquilo que toca, algo nocivo, prejudicial.1
Esta palavra está em contraste com o que é bom para edificação. A palavra torpe é toda palavra que não é boa para a edificação. Não necessariamente qualquer palavra que não edifica, mas palavras que destroem, corrompem, prejudicam aqueles que a ouvem. Na língua portuguesa, a palavra torpe significa “depravado; que insulta os bons costumes: motivo torpe. Asqueroso; que causa nojo; que é nojento: ação torpe.”2
É perfeitamente cabível tal tradução diante da palavra grega inspirada σαπρός. Nossas palavras não devem ser ditas ou escritas de um modo irresponsável. Não devemos falar ou escrever sem pensar como se nossa boa e nossas palavras fossem apenas de nossa própria conta. Nossa boca não é mais nossa, e nossas palavras devem ser transformada. Nunca se esqueça que seu eu foi crucificado e um novo homem vive em você, o homem Jesus Cristo. Suas palavras ditas ou escritas devem sempre honrar a ele, e nunca envergonhá-lo.
30E não entristeçais o Espírito de Deus, no qual fostes selados para o dia da redenção.31Longe de vós, toda amargura, e cólera, e ira, e gritaria, e blasfêmias, e bem assim toda malícia.32Antes, sede uns para com os outros benignos, compassivos, perdoando-vos uns aos outros, como também Deus, em Cristo, vos perdoou.
Dar lugar ao diabo, entristece ao Espírito Santo. Ele nos selou e nos reconhece, assim como o diabo também nos reconhece. Nos reconhece e sabe que não pode nem mesmo tocar naqueles que são de Deus (1Jo 5.18).
E, por fim, para que não venhamos a dar lugar ao diabo entristecendo o Espírito de Deus que habita em nós, é preciso que fujamos de tudo o que está no verso 31. Amargura, cólera, ira, gritaria, blasfêmias, e todo tipo de malícia.
Dar espaço a estas coisas em sua vida é dar lugar ao diabo. E quem dá lugar ao diabo, não pode estar dando lugar a Deus. Deus e o diabo não podem conviver em um mesmo corpo. Ou você está dando ouvidos e lugar a um ou a outro. E, se você está dando lugar ao diabo, Deus não está com você.
Resistindo ao diabo, ele fugirá de você. Daí, então, dando lugar a Deus, seja benigno (faça o bem ao próximo, fale bem do próximo, ame o bem, fuja do mal), seja compassivo, e perdoe, do mesmo jeito como você um dia foi perdoado. O fato de Deus dar perdão a você lhe obriga a perdoar a toda pessoa que lhe ferir o corpo ou a alma. Não perdoar é também dar lugar ao diabo.
A quem você está dando lugar em sua vida?
COMMENTS